Do ponto de vista epidemiológico, maior sucesso no controlo de doenças pode ser atingido se as investigações forem dirigidas para o esclarecimento de como as infecções ocorrem e presistem na ausência de doença.
Screening é aplicação de um teste a animais aparentemente sãos com o objectivo de detectar infecção ou doença subclínica. São considerados testes os mais comuns como os serológicos mas também é considerado teste a identificação de animais com anormalidades (sinais ou alterações dos tecidos) mesmo que a sua detecção seja feita com base em um ou mais orgãos dos sentidos. Os testes podem ser patognomónicos quando a detecção do sinal, resposta alteração do tecido é predictivo (absoluto) da presença do agente ou da doença. Ex. cultura positiva de B. abortus do leite de vaca é patognomónico para infecção por brucella. Os testes indicativos, detectam alterações secundárias indicativas da presença da doença ou agente. Ex. teste serológico para detecção de anticorpos contra brucella no leite. Estes testes podem produzir falsos positivos ao passo que oa testes patognomónicos não. Ambos porém podem produzir falsos negativos. Estes falsos resultados são matéria de estudo de sensibilidade e especificidade.
Sensibilidade e especificidade
Sensibilidade e especificidade descrevem a precisão de um teste i.e a capacidade de destinguir animais doentes de não doentes.
A sensibilidade de um teste é a capacidade do teste de detectar animais doentes (proporção de animais doentes com teste positivo i.e a/(a+c)). A especificidade de um teste é a capacidade do teste detectar animais não doentes (proporção de não doentes que são detectados negativos ao teste i.e d/(b+d)).
Tabela 2x2. Sensibilidade e especificidade.
| Resultado do teste | Doente (D+) | Não doente (D-) |
| Positivo (T+) |
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| Negativo (T-) |
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A sensi bilidade e especificidade são calculados da mesma forma que as taxas de risco:
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Numa amostra ao acaso de toda a população a prevalência verdadeira (proporção) P(D+) seria estimada de p(D+), i.e (a+c)n. Na prática no entanto este parametro é quase sempre desconhecido, somente os resultados dos testes (T+ e T-)estão disponíveis e portanto a estimativa de P(D+) é prevalência aparente (proporção) p(T+), i.e (a+b)/n. A prevalência verdadeira e aparente sáo podem ser iguais se b=c. Em geral , b tende a ser numericamente maior que c e portanto a prevalência aparente é maior que a prevalência verdadeira.
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Para a maioria dos testes indicativos existe uma relação inversa entre sensibilidade e especificidade. O valor crítico do teste é alterado de forma a aumentar a sensibilidade e portanto diminuindo automáticamente a especificidade. Isto resulta de as substâncias a serem medidas poderem estar presentes em animais sãos e doentes.a niveis e frequências diferentes e e inclusivé sobreporem-se. Na fig. 3.1, mostra a distribuição de títulos de anticorpos contra o agente x numa amostra de animais sãos (sem agente x) e numa amostra de animais doentes (com agente x). A maioria dos animais sãos não têm anticorpos contra o agente, alguns têm títulos baixos e muito poucos têm títulos altos. Por outro lado, nos animais doentes a distribuição é normal, muito poucos animais têm títulos baixos, a maioria tem títulos moderados e apenas alguns têm títulos muito altos. Embora a média dos títulos dos animais doentes seja alta as duas distribuições de títulos sobrepõem-se e eisto produz uma relação inversa entre sensibilidade e especificidade dos testes medindo esta resposta de anticorpos. A sensibilidade e especificidade depende do título crítico seleccionado. Na prática o título crítico é seleccionado de forma a que os ani mais com títulos acima do título são considerados positivos e aqueles com igual ou menor são considerados negativos. Se o título crítico for ajustado para aumentar a sensibilidade (i,e diminuido ou movido para a esquerda) o número de falsos positivos aumentará portanto a especificidade decrescerá. Se o nível crítico é aumentado (aumentando a especificidade) a sensibilidade do teste diminuirá e portanto existirá um maior número de falsos negativos.
Distribuição de títulos de anticorpos da doença x numa amostra de animais sãos e doentes:
