Métodos de descrição da doença no tempo e no espaço.Transmissão e manutenção da infecção.

Introdução
Métodos de descrição da doença no tempo e no espaço.

Doença esporádica:  Ocorre raramente ou é infrequente.  Não tem regularidade,  não é previsível  e a ocorrência é localizada.
A  ocorrência esporádica sugere que o agente infrequentemente infecta o hospedeiro, ou o agente está sempre presente e a doença clínica resulta de outros factores. São exemplos as mastites clinicas.

Doença endémica: É constante, ocorre com regularidade previsível com apenas pequenos desvios na frequência esperada. A frequência média  da doença endémica pode ser baixa (hypoendémica), moderada (mesoendémica) ou alta (hiperendémica).
As doenças endémicas são o resultado de equilibrio a longo prazo entre agente e hospedeiro. Quanto mais baixo for o grau de endemicidade melhor é o equilibrio entre ambos. No entanto este equilíbrio pode ser perturbado por factores ambientais e ligados ao hospedeiro.

Doença epidémica: abundante mas infrequente. Excede a frequencia normal esperada (mais de duas vezes o desvio padrão acima da média) e este aumento não é predictível. A doença ocorre num determinado momento e espaço.
Uma doença epidémica sugere um desiquilíbrio grande com o agente em vantagem. Este desiquilibrio é comum quando uma nova estirpe do organismo aparece (mutação) ou quando o hospedeiro é exposto pela primeira vez  ao agente.
O termo pandemia  é usado para exprimir uma  epidemia de larga escala (países e continentes).
Ao longo do tempo a relação entre agente e hospedeiro tende a mudar de parasitica  (favorecendo o agente) para comensal (que não favorece nem um nem outro). Com o tempo e um ambiente estável a ocorrência de doença passa de epidémica para endémica e depois para esporádica. No estado natural o hospedeiro mais resistente tem maior probabilidade de sobrevivência. Do ponto de vista ecológico a produção de doença e a morte não favorece a prepetuação do agente. Potanto, a selecção natural favorece  os microorganismos menos  patogénicos. A raiva e a Peste bovina são excepções à regra. O virus da mixomatose intencinalmente introduzido na Australia para controlar os coelhos provocou uma motalidade elevada  (80% a 90%). Depois de alguns anos verificou-se que a taxa de fatalidade inicial de 99% passou para 90%. e o tempo entre a infecção e a morte aumentou. Em 15 anos  a população de coelhos  chegou aos 20%.

Transmissão e manutenção da infecção

Há três métodos comuns de transmissão:
Transmissão por contacto. Pode ser (i). Directo. Contacto físico com o animal infectado. É o caso das doenças venéreas e micoses por ex.(ii) Indirecto. Contacto com fezes frescas, urina, saliva ou membranas fetais inclindo objectos recentemente contaminados como bebedouros e comedouros. (iii) Por goticolas e microgoticolas. Gotículas emanadas a curta distancia no espirro e na tosse directamente para as membrans mucosas de um animal são. As microgoticulas formam aerosois de resíduos secos provenientes de animais infectados e podem ser levadas a longas distancias no ar.

Transmissão por veículo.Veículos são objectos ou substancias inanimadas nos quais o agente é transportado. Os alimentos, agua, ar, superfícies de caixas e sacos de alimentos e  instru-mentos cirurgicos, soro, sangue e outros produtos biológicos. A transmissão veicular é a passagem dos agentes infecciosos entre animais através de veículos.Transmissão mecânica. O organismo infeccioso não se multiplica apenas sobrevive o intervalo de transmissão. E o caso das leptospiras na agua. Pode ser (I) Propagativa. O agente infeccioso multiplica-se no veículo como por ex. Staphiloccus no leite. (ii) Com desenvolvimento. O organismo passa por um período de desenvolvimento dentro ou fora do veículo. E o caso dos ovos de muitos nematodos e larvas no solo. (iii) Ciclopropagativa. Neste caso há desenvolvimento e multiplicação do agente dentro ou fora do veículo. E o caso de algumas espécies de estrongiloides e fungos.
As infecções transmitidas por veículos podem ocorrer de uma forma "explosiva" através da exposição simultanea de muitos animais a uma fonte comum de infecção. A curva epidemica para estes casos é característica.

Transmissão vectorial.Vectores são transportadores vivos dos agentes. Os vectores mais importantes são artrópodes (moscas, mosquitos, carraças) mas também pequenos mamíferos (ratos) ou outros vertebrados (peixes e passaros). Eles transportam o agente e garantem o contacto com hospedeiros específicos. Esta transmissão pode-se fazer por via directa. O vector tranfere o agente infeccioso de um animal doente para um saudável. Ex. Stomoxis e anaplasma.Ou por via indirecta. O vector transfere o agente infeccioso a partir das excreções de um animal infectado para o animal são via alimento ou àgua. Transmissão mecanica. O vector actua como "agulha voadora" como é o caso dos tabanídeos e mosquitos  e algumas doenças hematógenas como o carbúnculo hemático e as moscas nocturnas e queratite infecciosa (secreções lacrimais). Transmissão biológica. O vector tem uma função biológica essencial na vida do agente. Transmissão biológica propagativa. O agente infeccioso multiplica-se no vector. Ex. Espécies de culicoides e virus ds Lingua Azul dos ovinos.
Transmissão biológica com desenvolvimento. O agente infeccioso passa por uma fase essencial do seu desenvolvimento no vector. E o caso da Dirofilaria immitis nos mosquitos.
Transmissão biológica ciclopropagativa. O agente multiplica-se e sofre um desenvolvimento. E o caso de Babésias em algumas espécies de carraças.
 

Factores que afectam a eficiência dos veículos e vectores.

Grau de ubiquidade. Quanto mais comuns são maior é a eficiência. Ex. ar é muito comum, agua menos, mosquitos ainda menos, algumas espécies de mosquitos ainda muito menos. As condições climáticas têm um efeito importante na ubiquidade de certos vectors. Ex. mosquitos estão quase totalmente ausentes de areas onde a primeira geada da epoca de inverno ocorreu.

Grau de protecção que é dado ao agente no vector. Humidade protege a viabilidade do agente. Agentes que vivem nas superfícies expostas estão mais expostos ao efeito negativo do ambiente para a sua sobrevivência.

Metodo de transporte ao hospedeiro de interesse. O transporte pode ser activo como no caso do mosquito e a febre do Vale do Rift ou passivo como no caso das moscas que transportam Salmonella nos seus apendices e contaminam por acaso o alimento que vai se consumido pelo hospedeiro. Também tem importancia a amplitude de movimento dos vectores. Os vectores voadores e vectores não voadores têm expressão diferente na rapidez com que se desenvolve um foco. Nos vectores não voadores factores como transmissão transovárica ou intervalo entre as refeições assumem importancia epidemio-lógica considerável. Muitos vectores são hospedeiros intermediários e em menos casos hospedeiros definitivos (caso de Hepatozoon canis e plasmodium.

Transmissão do agente dentro do vector.
Transmissão transovárica. O agente passa verticalmente do vector infectado para a sua descendência via ovário. Ex. Babésia canis em carraças. Esta transmissão introduz complicações em relação oa controle do agente.

Transmissão transestadial. O agente presiste no vector a medida que ele passa por diferentes estádios de desenvol-vimento. É o caso de Cowdria ruminantium (todos os estádios) e Theileria parva (estadio seguinte).

Horizontal. É a transmissão  de agentes infecciosos entre animais da mesma geração e pode ocorrer por qualquer dos métodos préviamente descritos.( Oral (ingestão), respiratória (inalação), pele córnea e membranas mucosas (contacto {sexual}, inoculação iatrogénica e transmissão á distancia {microgotícolas}

Vertical. Significa transmissão de uma geração para outra, Pode ser por via venerea, hereditária, congénita (adquirida)via do colostro/leite, transovarial e transestadial.

Manutenção da infecção

A manutenção da infecção na população animal esta relacionada em primeiro lugar com a existência de reservatórios, portadores e animais susceptíveis.  Os mecanismos de transmissão viabilizam a manutenção da infecção. Do ponto de vista do agente da doença podem ser considerados as seguintes “estratégias” de manutenção: (i) evitar o estadio no ambiente externo (Trichinella spiralis).(ii) desenvolvimento de resistência.(Clostridios)(iii) entrada e ou saída rápida.( Virus respiratórios)(iv) presistência (Mycobacterium johnei, cestodos, toxoplasma) e (v) aumento da quantidade de hospedeiros (Febre aftosa).

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