MINISTÉRIO DE AGRICULTURA

DIRECÇÃO NACIONAL DOS SERVIÇOS DE VETERINÁRIA
Vigilância Epidemiológica e Prevenção
da Gripe das Aves (H5N1)
Ú
Estando a ocorrer surtos de Influenza Aviária em vários países asiáticos e sendo a doença uma importante zoonose, o Departamento de Sanidade Animal da Direcção Nacional de Pecuária chama a  atenção aos Serviços Provinciais de Pecuária e avicultores e público em geral para a necessidade de aumentar a vigilância epidemiológica em relação a esta doença das aves, assim como para a aplicação  das medidas preventivas definidas neste documento.

Em caso de suspeita contacte:

Chefe dos Serviços Provinciais de Pecuária da sua Província

Departamento de Epidemiologia (DNSV)

Geral: 21 46 04 94, ou 460082

Fax: 21460479

Email: uedinap@teledata.mz

O que é a A Influenza Aviária (IA) ou “Gripe das Aves”

A Influenza Aviária (IA) também conhecida por “Gripe das Aves” é uma doença infecciosa causada pelas estirpes do tipo A do vírus da Influenza.

A infecção causa sinais clínicos variados nas aves, que vão desde uma doença moderada até uma doença altamente contagiosa e fatal. A última é conhecida por “Influenza aviária Altamente Patogénica” . Esta forma é caracterizada frequentemente por ausência de sinais clínicos, evolução rápida e mortalidade próxima de 100%. O período de incubação da Influenza aviária é de 21 dias.

A doença moderada pode confundir-se com laringotraqueite infecciosa e outras doenças respiratórias das aves (anexo 1. Diagnóstico Diferencial)

Na sua forma mais virulenta há sintomas respiratórios graves com conjuntivite e sinusite, cianose da crista, edema da cabeça, penas levantadas, diarreia e sinais nervosos.  Os ovos postos depois do início da doença frequentemente não possuem casca.

Os patos selvagens migratórios são os reservatórios naturais dos vírus e são os mais resistentes à infecção, e o contacto directo ou indirecto com estas aves está relacionado com a ocorrência de epidemias. Os mercados de aves também jogam um papel importante na disseminação da infecção.

Para além de muito contagiosa, o vírus da Influenza é facilmente transmitido de uma unidade de produção para outra através de equipamento contaminado, veículos, alimentos, caixas e roupas contaminadas. Os vírus podem sobreviver por muito tempo no ambiente especialmente em temperaturas baixas.

O vírus da IA sofre mutações constantes e por isso facilmente ilude as defesas do organismo ou mesmo a protecção conferida pelas vacinas. As novas estirpes resultantes destas mutações podem ser transmissíveis entre humanos durante um período considerável e causar epidemias de grandes proporções.

A transmissão da infecção aos humanos faz-se por exposição a  animais infectados e contacto com excrementos de aves (ou poeira/solo contaminado com fezes) doentes ou em recuperação. As condições em que isto ocorre estão relacionadas com a presença de pessoas vivendo em contacto próximo com aves e suínos. Os suínos que são susceptíveis à infecção com as estirpes das aves e de mamíferos funcionam como “panela de mistura” do material genético entre estirpes humanas e aviária, resultando na emergência de novos subtipos. Os homens também podem funcionar como panelas de mistura de alguns dos 15 subtipos que circulam na população de aves. Dos subtipos existentes nas aves o H5N1 é de particular preocupação o por várias razões. O H5N1 faz mutações rapidamente e tem a tendência de adquirir genes de outros vírus que infectam outras espécies animais. A sua habilidade de causar doença severa dos humanos já foi documentada. As aves que sobrevivem excretam vírus por pelo menos 10 dias por via oral e nos excrementos.

Até ao dia 26 de Janeiro de 2004, foram infectados 10 países (Cambodja, Indonésia, Japão, Laos, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia Vietname, China e Paquistão.). Nesta epidemia já morreram pelo menos 6 pessoas na Tailândia  e outras 6 no Vietname. Milhões de aves morreram ou foram abatidas por causa da doença. (Clique aqui para conhecer a situação actual) . O foco de Influenza Aviária declarado na Africa do Sul é da estirpe H5N2 que ainda não foi diagnosticada em humanos.

Neste contexto a Direcção Nacional de Pecuária (DINAP) orienta todos os Serviços Provinciais de Pecuária (SPP) para de imediato observarem os seguintes procedimentos e medidas preventivas. (Ver também métodos para o controlo da Influenza Aviária OIE)

1.   Realizar visitas a unidades de produção de aves seleccionadas ao acaso e em todas aquelas onde se registem mortes ou casos de doença com sinais do aparelho respiratório ou nervoso ou qualquer dos sinais descritos nesta circular.

2.   Nas visitas aos aviários tomar todas as medidas de precaução à entrada e saída dos mesmos para evitar a contaminação, levando para o efeito equipamento apropriado e desinfectantes, e procedendo à desinfecção à entrada e à saída do aviário como medida suplementar  mesmo que existam por parte deste as medidas de bio segurança necessárias.

3.   Nas unidades de produção de aves divulgar e esclarecer os proprietários e trabalhadores sobre as características da Influenza aviaria e a obrigatoriedade de reforçar e manter a bio segurança no aviário e de informar em caso de ocorrência de sinais suspeitos de doença.

Em caso de sinais suspeitos de Gripe das Aves é obrigatória a colheita de material para diagnóstico.(anexo 2. 1. Colheita e transporte de material para diagnóstico de IA)B. Prevenção. Com base no no 1 do Arto 22  Regulamento de Sanidade Animal e do Arto 2.1.14.4 do  “OIE Terrestrial Animal Health Code passam a vigorar de imediato as seguintes disposições.

1. É proibida a importação da ou trânsito pela Africa do Sul de aves domésticas e selvagens vivas e carne fresca destas, pintos de 1 dia, ovos de incubação , produtos de origem em aves para uso na alimentação animal ou para fins agrícolas ou industriais, material patológico e produtos biológicos de aves não processados.  Entende-se por produtos  biológicos de aves não processados os seguintes:

A) Ovos para consumo;

A) Carne de aves, refrigerada ou congelada;

B) Miudezas de galinha;

C) Qualquer produto originário de aves não mencionado anteriormente desde que não processado.

A importação de outros países só poderá ser feita mediante a apresentação do Certificado Veterinário Internacional emitido pela Autoridade Veterinária do país exportador de acordo Arto 21 no 2 do Regulamento de Sanidade Animal.

2.Em caso de suspeita de GRIPE DAS AVES isolar a unidade de produção ou aviário e comunicar ao Chefe dos Serviços Provinciais de Pecuária e ao Departamento de Sanidade Animal através dos telefones 01 46 04 94, 01460050, 01460080.

3.Em caso de confirmação : realizar a destruição imediata das aves afectadas e em contacto, seguido de enterramento e  descontaminação das instalações (ver anexo 2. 2. Descontaminação das instalações) . Aplicar um vazio sanitário de pelo menos 21 dias

Aos avicultores em geral recomendam-se para observarem de imediato as seguintes medidas :

 1. Aumentar a vigilância sobre os efectivos de aves mandando para o laboratório todas as aves mortas com sinais suspeitos de influenza isto é em casos de doença com sinais do aparelho respiratório ou nervoso ou qualquer dos sinais descritos nesta circular. Em caso de sinais suspeitos de IA é obrigatória a colheita de material para diagnóstico.(anexo 2. 1. Colheita e transporte de material para diagnóstico de IA) e contacto imediato com a autoridade Veterinária.

2. Divulgar junto dos associados avicultores e criadores de aves e  trabalhadores sobre as características da IA e a obrigatoriedade de manter o isolamento e bio segurança do aviário e de informar em caso de ocorrência de sinais suspeitos.

3. Impedir a entrada de aves e pessoas estranhas ao aviário, cujo acesso está condicionado à existência de condições para mudança de roupa e de calçado e para desinfecção. (anexo 2. desinfectantes).

4. Pôr a funcionar à entrada dos aviários lava-pés com solução desinfectante (anexo 2. desinfectantes).

5. Em caso de suspeita de IA isolar a unidade de produção ou aviário e comunicar ao Chefe dos Serviços Provinciais de Pecuária e ao Departamento de Sanidade Animal através dos telefones 21 46 04 94, 21 460082 .

6. Em caso de confirmação: realizar a destruição imediata das aves afectadas e em contacto, seguido de enterramento e  descontaminação das instalações (ver anexo 2. 2. Descontaminação das instalações) . O repovoamento das instalações só poderá ser feito 21 dias depois da eliminação dos animais ou do último caso e depois de ser ter feito a limpeza mecânica e desinfecção (anexo 2. desinfectantes).

Referências

Animal Health Australia (2000).Operational Proceadures Manual. Decontamination Australian Veterinary Emergency Plan (AUSVETPLAN), Edition 2,Animal Health Australia, Canberra, ACT.

Animal Health Australia (2002). Disease Strategy: Highly Pathogenic Avian Influenza (Version 3.0). Australian Veterinary Emergency Plan (AUSVETPLAN), Edition 3,Animal Health Australia, Canberra, ACT.

Regulamento de Sanidade Pecuária (2002) . Boletim da República I Série- Número 49 de 5 de Dezembro de 2002.

World Health Organization (2004) Communicalble disease Surveillance & Response- Avian influenza - fact sheet 15 January 2004.

World Organization for Animal Health (2003) Terrestrial Animal Health code, Chapter 2.1.14, p 162.


Anexo 1

 

Diagnóstico diferencial de Influenza Aviária

 

 

A Influenza aviária (IA) e a Doença de Newcastle (DN) das aves e dos perus  com vários níveis de patogenicidade são indistinguíveis do ponto de vista clínico e lesional de :

 

Ø Mycoplasmose×

ØPasteurelose aviária ou cólera aviária×

Escherichia coli (celulite da cabeça)

ØLaringotraqueite ×

 ØCoriza infecciosa ×

Rinotraqueite dos perus

Intoxicação aguda;

Stress de calor;

Asfixia

Desidratação

 

A IA deve ser considerada uma suspeita quando ocorrem mortes súbitas  de aves com depressão severa, perda de apetite, sinais nervosos, diarreia aquosa, sinais respiratórios severos, e/ou quebra drástica de produção de ovos com a produção de ovos anormais (sem casca) . A probabilidade de ser IA aumenta quando há edema subcutâneo facial,  com inchaço e cianose  da crista e dos barbilhões, e hemorragias nas superfícies internas das membranas.Galinhas jovens ou aquelas que morrem  da forma hiper aguda podem não mostrar quaisquer lesões.

 

Vírus da Influenza aviária (IA)

 

 

 

Inflluenza virus

 

Influenza Aviária  quadro lesional

 

Influenza1 Influenza  influenza3

 

Cianose e edema da crista e barbilhões, corrimento ocular e sinusite

 

 

influenza4

 

Cianose da perna

Photos Copyright FAO 1997

 

 

influenza2

lesões no proventriculo

College of Veterinary Medicine
Oklahoma State University

influenza5     influenza6  influenza7

Hemorragias na traqueia e no Intestino

Photos Copyright FAO 1997


Anexo 2

1. Colheita e transporte de material para diagnóstico de Influenza Aviária

1.1 Amostras necessárias.

As amostras devem ser obtidas de animais vivos clinicamente afectados e de aves mortas recentemente.

Nos animais vivos: Zaragatoa da cloaca e da traqueia, fezes e soro.

Nos animais mortos: Tecidos dos órgãos digestivos (proventrículo, intestino ceco) e dos órgãos respiratórios (traqueia e pulmões).

 

1.2 Transporte do material

Os tecidos frescos ou zaragatoa em meio de transporte têm que ser mantidas em refrigeração (não congelar!) e enviadas em caixa isotérmica com elementos de gelo (elementos de gelo ou mesmo gelo em saco plástico). O material deve ser colocado em recipientes hermeticamente fechados e embalados de forma a que o material e/ou os líquidos não saiam para fora da embalagem.

 

2. Descontaminação das instalações

Descontaminação significa limpeza e desinfecção do local infectado para remover todo o material infeccioso.

O vírus da IA é susceptível a vários desinfectantes e detergentes. Os melhores desinfectantes são o hipoclorito de sódio (Agua de Javel),  e Virkon.

Antes da desinfecção deve ser feita limpeza e aplicação de detergentes em todo o material possivelmente contaminado em particular a matéria orgânica como as camas , equipamento usado na actividade normal do aviário, veículos. Particular atenção tem que ser dada à cama que deve ser enterrada ou queimada depois de ser aplicado desinfectante na sua superfície.

Desinfectantes recomendados e concentrações a serem usadas

Hipoclorito de sódio

NaOCl

conc. liquido

(10-12%

cloro activo)

1:5

2–3%

Cloro activo

(20,000 -

30,000 ppm)

10–30 min

Efectivo excepto na presença de material orgânico.

Agua de Javel

3.5%

1:1

(partes iguais em água)

10-30 min

Mesmo que em cima

Virkon®

1:200

0.5%   1 colher de chá / 10 litros de água.

10 min

Excelente desinfectante

Instalações

Virkon®

1:100

1%  1 colher de Chá/5 litros de Agua

1 semana

Excelente desinfectante Lava- pés

 

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